Tuesday, February 27, 2007

O dia em que o capeta subiu a montanha

Alex era um rapaz que morava na periferia de Belo Horizonte. Com
seus 20 anos de idade, sua única diversão eram os bailes nos fins de se-
mana nas quadras da avenida Vilarinho. Um dia resolveu fazer uma brin-
cadeira. Vestiu-se de “Tony Manero”e foi para seus embalos de sábado à
noite. Aproximou-se de uma bela moça e chamou-a para dançar.
Dançaram por longo tempo e ele era um excelente dançarino, dominando
do forró ao funk, do samba à dance music. A moça se encantou por ele e
acompanhou-o na dança, até que seu chapéu caiu ao chão e colocou à
mostra chifres que estavam na sua cabeça.

Alex estava usando uma máscara de borracha, mas então era tarde
demais para explicar o ocorrido. A moça aprontou uma gritaria que
provocou uma comoção geral nos freqüentadores do local. Na correria
que se seguiu, houve até quem afirmasse ver as patas de bode no capeta em
fuga. No início dos anos 90, essa história ficou conhecida como o “Capeta
do Vilarinho”.

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Saturday, February 10, 2007

A lenda da mulher fantasma

Belo Horizonte tem sua “adoração” do Bonfim, mas ao contrário do
santo baiano, a versão mineira se refere a uma mulher que talvez nunca
tenha existido e virou lenda urbana há 50 anos.

A Loira do Bonfim é um personagem mitológico da cidade. Tudo
começou entre as décadas de 40 e 50 quando ficou conhecida como a
história de uma mulher loira que conquistava os homens no centro da
cidade e os convencia a ir à sua casa, no bairro do Bonfim. Ao chegar lá,
ela se dirigia ao cemitério e dizia ser ali sua morada.

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Monday, January 22, 2007

O mercado que quase veio a baixo

Foi no Mercado Central que eu, então com dez anos de idade, vi pela
primeira vez um pêssego. Minha surpresa foi tão grande que perguntei
ao feirante o que era “aquilo” e ganhei de presente duas frutas. Até então,
eu, um menino completamente urbano, apenas tinha visto o pêssego em
caldas, embalado nas latinhas e sem o caroço. Isso foi em 1978.

Também passei vários sábados com meu pai, mas principalmente
com alguns dos meus irmãos mais velhos, indo ao mercado para comer a
famosa carne com cebola — aqui vai a confissão de que eu nunca comia
a cebola, apenas a carne —, nos “botecos” que ficam na entrada ou saída
do mercado e onde se formam filas para experimentar a “iguaria”.

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Thursday, January 18, 2007

Il viaggio di un discendente italiano

Guglielmo Ferrari desembarcou no Porto de Santos, em 1897, no
mesmo ano da inauguração de Belo Horizonte. Na época ele ainda não
sabia. Seu destino estaria diretamente ligado à cidade. Mais de um século
depois, são muitos os seus descendentes na capital mineira. De Fabbrico,
onde nasceu em 1869, na região de Reggio Emilia, norte da Itália, ele fez
um caminho árduo naqueles dias do século 19 até o planalto central
mineiro na cidade de Paracatu. Após a segunda década do século 20, seus
filhos — entre eles, meu pai, Orlando Ferrrari — migraram para Beagá.

Por quase uma década, motivado pela busca das origens da família,
procurei os documentos de meu avô. Pesquisei com familiares (existiam
apenas dois documentos incompletos de referência, as certidões de casa-
mento e óbito), advogados, cartórios e dezenas de sites na internet. A
constatação mais comum desse período é um sem número de desinfor-
mações e de oportunistas, seja na vida real ou na “world wide web”.

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Sunday, October 8, 2006

Artigo 334

Enquanto o país só fala em segundo turno, uma caminho tem
chamado a atenção em Belo Horizonte. Da Praça Sete, são pouco mais de
dois quilômetros de um centro de compras popular, o Oiapoque, conhe-
cido como shopping Oi (nenhuma ligação com a operadora de telefonia
celular).

Seguindo pela rua Rio de Janeiro até a avenida dos Andradas chega-
se quase na porta do shopping. Todos os dias, é possível ver pequenos gru-
pos nessa rota. Este pode ser chamado o “caminho legalizado da
contravenção”. Há quase 5 anos, a Prefeitura, na tentativa de eliminar os
ambulantes que infestavam o centro, criou o primeiro camelódromo da
cidade. Em pouco tempo, eles proliferaram ocupando antigos galpões e
instalações de lojas que fecharam no início da década de 90, como a Mes-
bla Veículos.

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Sunday, September 10, 2006

A grande feira de artesanato do Brasil

A maior feira montada em espaço aberto da América Latina está em
Belo Horizonte. Antes que isso soe ofensivo a cidades como Recife, Belém
ou Fortaleza, esclareço que se trata de uma feira ao ar livre, montada e
desmontada uma vez por semana, em apenas 12 horas. Já se chamou
Hippie, da Praça da Liberdade e agora é de Arte e Artesanato. Os registros
dão conta de que a feira surgiu em 1969, criada por um grupo de artistas
mineiros e críticos de arte.

No início, a feira era apenas mais uma atração da praça. Com o
tempo, a Feira Hippie deixou de ser “alternativa” e se tornou um grande
negócio. Cresceu tanto que passou a acontecer duas vezes por semana;
quintas à noite e domingos de manhã. Na década de 80, eram tantos os ex-
positores e freqüentadores que a área geográfica da praça ficou pequena.
A destruição permanente do mobiliário da praça também cresceu e nos
demais dias em que não havia feira se tornou impossível freqüentar o
local. Começava a polêmica sobre o destino da feira.

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