Saturday, August 23, 2008

Ordem e progresso na terra do sol

Ao longo da existência de Belo Horizonte, a campanha de constru-
ção da civilização foi, como escreveu Euclides da Cunha, um refluxo para
o passado. Há 110 anos, o Brasil tentava encerrar o modelo imperial. Uma
nova cidade incrustada nas montanhas de Minas era um sinal desses tem-
pos. Entretanto, na tentativa de romper com o passado, seus construtores
perpetuavam um jeito de ver o mundo como os nobres o viram durante
séculos.

Para tirar o poder de Ouro Preto, dos coronéis e das famílias abas-
tadas, quase todas ainda ligadas à monarquia, uma nova capital foi plane-
jada. Um dos seus lemas era a higienização, com largas avenidas, praças e
amplas sedes para o poder público — que ainda podem ser vistas no en-
torno da Praça da Liberdade. Um só caminho levava a todos os pontos da
cidade; a Avenida 17 de dezembro (hoje, Do Contorno), dia originalmente
escolhido para a inauguração da Capital de Minas, mas que teve sua data
alterada em cinco dias devido o medo de protestos de grupos da antiga
Vila Rica. Se eles vieram, chegaram com a cidade inaugurada.

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Posted by Eduardo Ferrari at 06:00:00
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