Friday, February 1, 2008

Meu amigo itabirano

Como mineiro é uma heresia, quase um pecado, o que vou dizer:
nunca gostei de Carlos Drummond de Andrade. Ou, pelo menos, ele
nunca esteve entre os meus preferidos. Vinicius de Morais sempre me
tocou mais com suas poesias do que o autor itabirano. É claro que não
discuto a importância e a qualidade do poeta mineiro. Ele, assim como
Euclides da Cunha e Machado de Assis, é um ícone da literatura brasileira.
Mesmo que os gaúchos prefiram Mário Quintana, os pernambucanos es-
colham Manuel Bandeira, os paulistas não abram mão de Mário de An-
drade e o próprio Vinícius seja a escolha óbvia dos cariocas, Drummond
ganha na preferência nacional.

Minha má vontade para com o poeta aumentou depois que vivi al-
guns anos de martírio em sua terra natal. Por causa do trabalho, caí no
meio de uma mina de minério de ferro, a segunda personalidade mais
famosa de Itabira, e o fato é que não fui muito bem recebido por aquelas
bandas, principalmente, pelos nativos do lugar. Porque talvez eu tenha me
portado como um estrangeiro em terras distantes ou por causa do meu ar
arrogante e cosmopolita de quem vinha da cidade grande para ensinar
novas lições. Então passei grandes apuros nas mãos dos itabiranos e não
pude deixar de pensar em Drummond como produto daquele lugar.

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Posted by Eduardo Ferrari at 04:00:00
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