Wednesday, November 21, 2007

Os velhos moinhos de Dom Quixote

A imprensa mineira não é levada a sério fora do limites do Estado.
Por imprensa mineira defino aquela que não está ligada aos veículos na-
cionais e que têm suas sucursais e correspondentes. Desde que acharam
o corpo do Ulisses Guimarães, do namoro de uma mineira com Mike
Tyson em destaque no mais tradicional jornal de Minas até o mais com-
pleto silêncio em relação às críticas contra o governo de Aécio Neves,
Minas Gerais é motivo de piada na imprensa nacional.

Quando o helicóptero de Ulisses Guimarães caiu no mar em 12 de
outubro de 1992, o jornal Estado de Minas foi o único veículo de imprensa
do país que fechou seu caderno de domingo às 19 horas com a manchete
“Achado o corpo de Ulisses Guimarães”. Às 20 horas, do mesmo dia,
todos os telejornais corrigiam a informação de que o corpo era o do pi-
loto. Tarde demais. O jornal já estava na gráfica e estampou no dia
seguinte um dos maiores erros do jornalismo brasileiro (que no jargão
dos repórteres é chamado de “barriga”). De nada adiantou no dia seguinte,
o jornal tentar colocar a culpa da informação fake na falecida agência JB.
Alguns meses depois, o distraído departamento de publicidade da publi-
cação mineira ainda exibia uma campanha para novos assinantes onde a
capa com a manchete fatídica era um dos destaques dos outdoors de di-
vulgação.

Posted by Eduardo Ferrari at 04:00:00 | Permalink | Comments Off