Domingo, 20 de Julho de 2008

Era uma vez um doutor de BH

Eu conheci o prefeito Célio de Castro. Entre os anos de 1997 e 1998 fui um de seus assessores de comunicação no gabinete da Prefeitura de Belo Horizonte. O doutor BH, alcunha que recebeu em Minas, foi o único político que encontrei digno de admiração. Não que fosse perfeito, mas era realmente bem intencionado em suas ações.

Mesmo prefeito, reservava suas manhãs de segunda-feira ao atendimento médico em seu consultório. Na quase totalidade das vezes a pacientes que não poderiam pagar por um consulta com a sua grife. Do tempo em que Célio de Castro ainda não imaginava que seria político, minha mãe me contava a história de que ao levar um de meus irmãos para ser atendido por ele ganhara os remédios gratuitamente, o que na década de 60 era uma prática pouco usual na maioria dos médicos.
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Escrito por Eduardo Ferrari em 20:06:16 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Os piores espetáculos da terra


Era o dia 21 de junho de 1983.
Belo Horizonte recebia o grupo Kiss, aquele que fazia mais sucesso pelas caras pintadas do que pelo talento musical propriamente dito, mas que ainda assim era uma atração e uma novidade rara para aqueles dias da capital mineira. Menos de duas horas antes da apresentação começar, a região do estádio do Mineirão ficou sem luz. Um grupo de evangélicos que acreditava na encarnação do diabo na figura dos exóticos componentes do Kiss quebrou um transformador deixando a região às escuras. Pelo menos foi essa a versão que a polícia deu à época. O resultado foi o adiamento do show.

Quando finalmente os quatro músicos entraram no palco, dois dias depois, o que se viu foi uma das mais bizarras apresentações de todos os tempos na cidade. Muita fumaça, pouco som e apenas 40 minutos de música. A cena insólita se completou com o vocalista Paul Stanley vestindo a camisa do Atlético e gritando "Galo" enquanto a outra metade do público vaiava.

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Escrito por Eduardo Ferrari em 23:34:44 | Link permanente | Comments (3) |

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Karkinos ou 'καρκίνος που δεν είναι το τέλος'



Eu tive cancêr. Para quem me conhece a menos de dez anos pode parecer uma surpresa essa afirmação, mas quis desde o início desse texto deixar claro qual era o assunto. Poucas vezes escrevi sobre temas pessoais neste blog que tem um caráter jornalístico. Embora pautado nas minhas vivências, a intenção aqui sempre foi falar de acontecimentos de Belo Horizonte ou de cidades que tivessem alguma relação com ela. Mesmo em crônicas sobre minhas histórias, havia um pano de fundo com o passado, o presente ou o futuro da capital mineira.


Então, porque falar de um assunto tão pessoal como um doença? Um vídeo com o americano Randy Pausch que vi pela internet a partir de uma matéria publicada na revista Galileu de julho me fez rever muito da minha relação com o mundo e com essa doença que tem sempre a mística de terminal. Para quem não se lembra, Randy Pausch é aquele professor que descobriu que tinha o cancêr no pancrêas, o mais mortal deles, e que lhe restavam pouco mais de seis meses de vida com boa saúde. Isso em fevereiro deste ano. Então como era professor optou por dar o que seria a sua última aula, seu legado para seus filhos e para as gerações futuras. A tal aula gerou o livro "A lição final", que virou best seller nos Estados Unidos e seguiu o sucesso pelo mundo afora onde foi lançado.
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Escrito por Eduardo Ferrari em 22:33:46 | Link permanente | Comments (2) |

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

O planeta dos macacos de Minas


Do tempo em que eu era criança guardo na memória as minhas visitas ao vilarejo de São Sebatião das Águas Claras, um distrito da cidade de Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte, que por causa do ribeirão dos Macacos, ganhou a alcunha do antropóide.

Eu não tinha mais do que dez anos de idade quando, acompanhado de meus irmãos mais velhos, passava os sábados ou os domingos nas cachoeiras de Macacos. Naqueles dias da década de 70, havia apenas uma dúzia de casas e eu me lembro de uma vendinha que estava instalada próxima a uma dessas cachoeiras e que tinha Guarapan, que era vendido apenas em garrafas de vidro de 290ml. Cada mergulho no lago da cachoeira equivalia a um golo do refrigerante e por isso aqueles passeios tinham o gosto de maçã misturada com guaraná.

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Escrito por Eduardo Ferrari em 14:38:35 | Link permanente | Comments (3) |

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Médicos e monstros


Há mais de 120 anos, Roberti Louis Steveson já sabia que era assim. Em seu livro "O estranho caso do Doutor Jekyll e Senhor Hyde" (do original em inglês The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, mas que em português ganhou o estranho nome de O Médico e o Monstro), ele descrevia a história de um bondoso médico que fez uma experiência em si mesmo que o tornou um homem mal, o "monstro" Edward Hyde. Eventualmente, Jekyll voltava a ser ele mesmo, mas chegou um momento em que não conseguiu mais se controlar e acabou tirando sua própria vida, justamente para impedir as maldades (e assassinatos) de Hyde.

Em Belo Horizonte, uma cidade que hoje é referência em várias áreas e especialidades médicas (mas já foi mais ainda num passado pouco distante), a medicina também oscila entre o bem e mal. Quando ainda adolescente li pela primeira vez o original do escritor escocês, publicado em 1886, ficava me perguntando se haviam mesmo dois personagens ou se, no fundo, a história era uma figura de linguagem para mostrar que mesmo os mais bondosos tem suas faces do mal. Assim que aprendi inglês um pouco melhor percebi que Jekyll era quase um I Kill (eu mato) e que Hyde era uma referência a hidden (oculto). Pronto, nunca mais perguntei a ninguém sobre o que se tratava a história. Apenas pensei que ela era fictícia, mas estava enganado.

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Escrito por Eduardo Ferrari em 00:55:10 | Link permanente | Comments (1) |

Sábado, 21 de Junho de 2008

Adeus, Aécio! ou 'Como estragar um Brasil e Argentina'



Eu acabo de quebrar uma promessa. Àqueles que me julgarem sem palavra, explico. Há algum tempo escrevi o que chamei de última crônica citando o governador Aécio Neves. Falava da minha preguiça de criticar alguém que apenas merece críticas. Algo como no dito popular “Que vantagem você tem quando bate em bêbado?” Realmente, o político playboy sempre teve um amontoado de trapalhadas que me cansaram. Então, assim como Diogo Maynardi em relação a Lula, o presidente petista, não o molusco cefalópode, prometi que aquela era a última vez que o citava. Menti, mas o leitor que conseguir chegar ao fim deste texto há de perdoar minha fraqueza.

Essa semana Belo Horizonte foi palco do que para alguns é o maior clássico de futebol entre seleções nacionais. Brasil e Argentina jogaram na capital mineira, no estádio Mineirão, por mais uma rodada das eliminatórias da próxima copa do mundo, aquela que acontecerá pela primeira vez no continente africano. Assim como em 2003, quando o ex-fenômeno Ronaldo marcou “quatro” gols, três em campo e dizem mais um fora dele quando fisgou a então promissora Daniela Cicarelli, o governador do estado era Aécio Neves. Naquele jogo, o político foi acusado de desviar milhares de ingressos para satisfazer seu ego e agradar amigos e outros nem tão amigos, mas possíveis stakeholders (públicos estratégicos que para ele podem ser eleitores e apoios rumo à sua ambição pessoal de ocupar o Palácio do Planalto).

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Escrito por Eduardo Ferrari em 23:39:01 | Link permanente | Comments (2) |

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Ponta de Areia ou 'Sem recados após o bipe'

Entre os anos de 1993 e 1994 qualquer pessoa que quisesse ter um celular tinha duas opções. Entrar numa fila que podia durar meses ou pagar um ágio de até 1000%. Naqueles dias, uma linha móvel podia custar até R$ 2 mil e um aparelho nada elegante como o Motorola PT500 outros R$ 1 mil. Essa realidade existia em qualquer capital brasileira com uma única exceção, Belo Horizonte.

A capital mineira era atendida pela Telemig Celular, então um superintendência da Telemig que posteriormente foi desmembrada em duas empresas para privatização, onde se podia ir a uma loja qualquer e conseguir um celular em menos de 30 minutos. O plano mais popular era chamado de “Celuar”, uma opção onde os minutos falados durante o dia eram bem mais caros, mas à noite praticamente não eram cobrados. O melhor de tudo era o preço que nunca ultrapassava aos R$ 500,00 incluído os aparelhos, os famosos Motorola Elite, sonho de consumo dos endinheirados daquele tempo, mas que fariam rir qualquer menino em idade escolar nos dias de hoje.

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Escrito por Eduardo Ferrari em 22:49:02 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, 04 de Junho de 2008

Barrados no baile



Para a festa de aniversário dos dez anos
 das meninas superpoderosas nem todo mundo foi convidado. Os mineiros incluídos. Neste fim de semana que passou, Belo Horizonte recebeu no shopping Pátio Savassi o evento do canal de tevê a cabo Cartoon Network, herdeiro da Hanna Barbera, com o pretexto de comemorar uma década da criação das The Powerfull Girls, do desenhista americano Craig McCracken, mas que no fundo teve mesmo a intenção de vender assinatura da Net, sucrilhos Kelloggs e refrigerantes Schincariol.

No slogan de divulgação do evento, o Cartoon fazia a brincadeira que somente poderia entrar no evento quem tivesse convite. Fora as centenas de crianças que compareceram com seus pais, eu entre eles, os mineiros parecem ter sido barrados. Isso porque toda a produção do evento era carioca, a começar pelo sotaque gringo do animador de palco. Nada contra o Rio de Janeiro, mas poderíamos ter sido poupados de piadinhas bairristas de que “belzonte” não tem praia ou sobre as diferenças de quem torce para o Atlético ou para o Cruzeiro. 
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Escrito por Eduardo Ferrari em 01:29:46 | Link permanente | Comments (1) |

Domingo, 25 de Maio de 2008

Apenas um testemunho oral

Enquanto a Bienal do Livro de São Paulo chega há 20 anos, Belo Horizonte teve pela primeira vez um salão do livro que pode começar a fazer parte de algum calendário de eventos. Não há comparação, entretanto, entre as duas feiras. Nas quatro vezes em que visitei os encontros dos livros na capital paulista, a programação sempre incluiu autores nacionais e internacionais em lançamentos de títulos inéditos. Não é o que acontece em Minas, mas ainda assim para BH, o evento que durou dez dias, foi uma revolução.

Eu me lembro dos meus tempos de adolescente quando as primeiras feiras de livro reuniam apenas uma dezena de estandes em shopping centers e atraíam apenas obstinados. Passaram quase vinte anos, o tempo de existência do encontro paulista, e as feiras de livro na capital mineira insistiam em ser realizadas sempre em espaços menores, como até o ano de 2007, na Serraria Souza Pinto, um bom local para festas de empresas, mas inapropriado para mostrar livros num estado que tem autores como Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Peregrimo, Rubem Fonseca.
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Escrito por Eduardo Ferrari em 20:36:03 | Link permanente | Comments (1) |

Terça-feira, 18 de Março de 2008

Aécio é minha anta


Há duas semanas descobri definitivamente porque o governador Aécio Neves tem o apoio de grande parte dos empresários nacionais para sua vaidade pessoal de chegar à presidência da república. A prova veio através de um decreto lei que desapropria todas as terras por onde vai passar a obra do mineroduto da empresa MMX, do ex-colunável Eike Batista.

A lei, inédita no estado, transforma o interesse particular em público e surgiu depois de um almoço entre o governador, o próprio Eike e seu pai, Eliezer Batista, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce e membro de um conselho estadual de desenvolvimento econômico ligado justamente ao governo de Minas. Pelo decreto, todos os proprietárias da terras de Conceição do Mato Dentro, uma cidade considerada Reserva da Biosfera pela Unesco, estão obrigados a vendê-las pelo preço determinado pela MMX. Não bastasse o fato da tal mineradora ter herdado informações estratégicas de pai para filho, agora o poder público também patrocina a iniciativa.

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Escrito por Eduardo Ferrari em 00:27:05 | Link permanente | Comments (4) |